Arquivo do mês: junho 2011

Pérola de Sabedoria

Quando o assunto é espiritualidade não se deixe levar pelo óbvio. Desconfie de tudo aquilo que é pautado em argumentos absolutamente concretos e racionais, mas que ainda assim se declara como sendo espiritual. Espiritualidade é um outro lance; tão íntimo, sobrenatural e misterioso, que fica até difícil de explicar o que é.

PELLEGRINI – Pellegrino / Peregrinus

“Sou peregrino na terra Salmo” 119.19a

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Sistema religioso: ritual por ritual, limitação por limitação

O ritual religioso é um dos elementos mais recorrentes nos dias de hoje, em seu sentido clássico; como sistema, método e pacto, formando um conjunto de gestos, palavras e formalidades, imbuído de um valor simbólico, cuja execução é prescrita por uma religião. Tal ritual religioso é executado por uma comunidade de pessoas religiosas em locais específicos, em intervalos regulares (como reuniões de culto) ou em situações específicas (como batismos, casamentos e funerais).

Penso que o real propósito de se realizar o ritual religioso é promover a tentativa humana de criar uma ocasião – um mito reparador. Entendo que o apego ao ritual religioso serve apenas como um calmante, entendo ainda que o ritual religioso não passa de uma psicoterapia breve. O ritual religioso é comum e limitado em si, não oferece harmonia possível, ele apenas funciona como uma maquiagem sem encontrar de fato uma justa posição Santíssima. Para mim o ritual religioso é um sagrado qualquer com disfarce de santo numa função de ruptura com o plano real (interpretado como profano). No velho condicionamento primitivo que nos leva a escolher o ritual como um recurso de feitiço – um portal mágico, que supostamente irá causar algum efeito entre o aqui e o além. O ritual religioso é simplesmente um elemento de magia (que no fundo não passa de elemento cultural) para tentar tirar do lugar o ser humano de onde ele está e sempre estará, não importando todo o esforço que possa ser feito por ele.

O que de fato percebemos no ritual religioso é puramente o vicio e o desejo em manter sempre o mesmo estado de concordância; numa obtenção da aceitação humana, num fortalecimento dos laços sociais, assim como numa satisfação das necessidades emocionais, estabelecendo por fim, papéis, obrigações e afiliações. Daí, toda a rede de interesses que se forma em torno de uma suposta verdade projetada e apresentada como tal no ritual, o que proporciona no fim das contas uma via de entorpecimento real da consciência, assim como uma conseqüente necessidade de reagir mais cedo ou mais tarde ou de ficar perpetuamente estagnado na prática meramente religiosa, isso é claro, dependendo da forma como tal pessoa lida com as regras delineadas por sua própria experiência e perspectiva.

E tem mais, hoje muito se aponta a instituição como ofensiva ao Evangelho, mas será mesmo honesto criticar a instituição enquanto somos viciados nas mesmas coisas e estamos pendurados no mesmo ritual religioso?

Posso afirmar que quanto mais ritual religioso, mais cultura religiosa e por fim, mais necessidade de institucionalização reguladora. Quem continuar curtindo sempre da mesma forma pequena o ritual religioso, mesmo que seja ele até nos mais leves formatos, não poderá nunca reclamar da institucionalização. Sinceramente, entendo que enquanto existir o mesmo cerimonial existirá a mesma institucionalização castradora do Evangelho e da vivência da genuína Espiritualidade Cristã.

Agora com isso não estou radicalizando o ritual em termos gerais, estou aqui apenas tratando contundentemente a respeito do ritual religioso, até por que entendo que diversas ações comuns, como um aperto de mão ou um alô pelo telefone são pequenos rituais do cotidiano. Portanto não sou radical a ponto de propor a inércia imobilizante do fim completo do ritual, já que realizo automaticamente uma série deles no dia a dia, mas em termos espirituais aprovo apenas o ritual mais profundo em si, a experiência do essencial e não do ritual, ou seja, creio que o Evangelho faz celebração invisível do mistério apenas no coração e rompe com a ritualística externa e barulhenta. Sim entendo que o ritual exibicionista repetitivo não leva a lugar nenhum e me agrada a depreciação e o declínio desse ritual religioso na sociedade contemporânea e que assim venha a nascer o espaço maior para consumação do ritual íntimo do Evangelho. A prioridade maior é o encontro com Deus – o verdadeiro ritual que permanece vivo é o Evangelho sustentado em constante transformação interna num movimento da Espiritualidade Viva, que cresce internamente nos desalojando das posições equivocadas, restaurando a Espiritualidade Essencial mais profunda que nos incentiva ao progresso do novo modo de pensar e agir. A justa posição para o homem – O Evangelho do Espírito para o espírito.

Enfim, amadurecidos pela Graça de Deus, acredito que podemos ir muito além do obstáculo ritual, buscando reordenar a vida ao ponto de viver sem as regras e as fronteiras religiosas que podem nos limitar em desejos e ambientes.

De uma vez por todas, lembrando:

“O reino de Deus não vem com aparência exterior” Lucas 17.20 b

AMÉM.

PELLEGRINI – Pellegrino / Peregrinus

“Sou peregrino na terra” Salmo 119.19a

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Um dia, Deus vai corrigir toda a injustiça.

Bendito seja o Senhor, que defendeu a minha causa contra Nabal, por ter me tratado com desprezo. (1 Samuel 25:39).

Certa vez, a autora de peças teatrais e membro do Congresso dos EUA, Clare Boothe Luce (1903-1987) disse: “Nenhuma boa obra fica sem punição”. Lamentavelmente, às vezes parece que esse provérbio é verdadeiro. Davi, que em breve seria rei de Israel, teve uma experiência que confirma essa idéia. Enquanto se escondia de Saul, ele e seus homens vigiaram as terras de um homem muito rico, chamado Nabal. Mais tarde, porém, quando Davi pediu um favor a Nabal, foi tratado com desprezo. Davi disse: “De nada adiantou proteger os bens daquele homem no deserto, para que nada se perdesse. Ele me pagou o bem com o mal” (1 Samuel 25:21). Antes que Davi pudesse se vingar, a esposa de Nabal interveio e evitou que Davi agisse de forma imprudente. Pouco depois, Deus feriu Nabal e ele morreu (v. 38). Então Davi louvou a Deus por tê-lo impedido de praticar o mal e por ter feito “com que a maldade de Nabal caísse sobre a sua própria cabeça” (v. 39). Quem sabe você teve uma experiência na qual a bondade foi paga com ingratidão; um presente generoso foi visto como uma obrigação; atos amáveis foram interpretados como uma tentativa de controle; ou conselhos bem-intencionados foram recebidos com desdém. A história de Davi nos lembra que, mesmo quando parece que somos retribuídos com maldade por fazer algo de bom, não devemos tomar as coisas nas nossas próprias mãos. Podemos deixar os resultados com Deus.

Fonte: Julie Ackerman Link – Nosso Andar Diário

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Orar

ORAR NÃO É O MUITO FALAR

É normal o excesso de articulação verbal na pós-modernidade, o falar demais é uma marca cultural do nosso tempo – a tentativa de argumento a todo custo, para fazer valer uma determinada opinião.

Porém lendo o Evangelho da Graça de Deussegundo o relato de Mateus 6: 6-7 , a gente descobre que o olhar de Deus para conosco NÃO vai depender das nossas muitas repetições ou do nosso muito falar, muito pelo contrário, o MISTÉRIO DA ORAÇÃO está na EXPERIÊNCIA DO SECRETO, do coração que ultrapassa as limitadas palavras, o que o texto chama de “entrar no aposento”, um verdadeiro mergulho de coração em intimidade com Deus, e aí sim, o Pai que está em secreto estará nos vendo.

ORAR É UM EXERCÍCIO DE COMUNHÃO

Ter intimidade com Deus, não quer dizer, que seremos indiferentes ao próximo, assim estar bem próximo e pessoal com o Altíssimo não exclui a nossa interação com o outro. Dois ou três reunidos em nome Dele, devem (como mandamento recíproco) cultivar uma vida de oração comunitária – entrando na dor e na alegria do irmão em Cristo, conforme: Tiago 5.16.

ORAR NÃO É APENAS MAIS UM INSTRUMENTO

A carta de Paulo aos Efésios 6: 10 – 17 é um texto bastante rico, que fala da armadura de Deus, mas ultimamente por ter sido muito pregado nas igrejas, também foi de certa forma muito vulgarizado pela “teologia de batalha espiritual” … penso que ele deve ser sempre ligado ao contexto do versículo 18 – onde a oração não é descrita como mais um item instrumental do paramento beligerante, e sim como todo o processo no qual nos envolvemos, a oração portanto, é toda a batalha (em todo tempo) e não só mais uma arma em nossas mãos.

ORAR É UMA OPORTUNIDADE DE INTERCESSÃO

Ainda em Efésios, no versículo 19, o apostolo Paulo, pede a oração da igreja como intercessão pelo seu ministério. Nisso, nota-se sua sabedoria, primeiro em admitir, mesmo sendo ministro, que carece de oração como qualquer um carece, e também por ensinar a comunidade cristã, que quando a mesma toma a causa evangelistica de um ministro para si, como se fora a sua própria causa, homologa João 14:12 – quando na reunião de todos os discípulos de Cristo no Corpo, somos juntos a sua expressão viva para “obras ainda maiores”.

AMÉM!

PELLEGRINI – Pellegrino / Peregrinus
“Sou peregrino na terra” Salmo 119.19a”

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