Os Pais da Igreja – Os Heróis da Fé.

Pais da Igreja, é um resumo daquilo que realmente viveram em suas épocas. Que possamos tomar o exemplo de fé, amor pelas almas e ousadia destes homens; e saber que na época em que vivemos hoje, ainda podemos ser “Heróis da Fé”. Possamos através da graça de Deus, pagar o preço que nos é proposto, a fim de manter a Igreja edificada, a defesa do Evangelho e a luta contra todo espírito que queira corromper as doutrinas da infalível Palavra de Deus.A partir do ano 95 d.C., os líderes ou bispos, começaram a ser chamados de “Pais da Igreja”, como uma forma carinhosa, por sua lealdade. O nome “Heróis da Fé” foi usado mais amplamente a partir do terceiro século para descrever os campeões ortodoxos da Igreja e os expoentes de sua fé. Os Pais da Igreja são classificados em quatro grupos:

Os Pais Apostólicos, Os Apologistas ou Ante-Nicenos, Os Polemistas ou Nicenos, Os Teólogos Científicos ou Pós-Nicenos. Os Pais Apostólicos são caracterizados pela edificação e fortalecimento dos crentes na fé; os Apologistas, pela sua defesa aos ataques contra o Cristianismo; os Polemistas, pela defesa contra heresias dentro da Igreja; e os Teólogos, pela aplicação da Teologia em áreas filosóficas e científicas. OS PAIS APOSTÓLICOS

Data: Primeiro Século (30 – 100). Objetivo: Exortar e edificar a Igreja. Preeminentes no Ocidente: Clemente de Roma. Preeminentes no Oriente: Inácio, Policarpo, Barnabé, Papias, Hermas e Didaquê. OS APOLOGISTAS Data: Segundo Século (120 – 220). Objetivo: Defender o Cristianismo. Preeminentes no Ocidente: Tertuliano. Preeminentes no Oriente: Justino, o Mártir, Taciano, Teófilo, Aristides e Atenágoras. OS POLEMISTAS Data: Terceiro Século (180 – 250). Objetivo: Lutar contra as falsas doutrinas. Preeminentes no Ocidente: Irineu, Tertuliano e Cipriano. Preeminentes no Oriente: Panteno, Clemente, Orígenes e Hipólito.OS TEÓLOGOS CIENTÍFICOS

Data: Quarto Século (325 – 460). Objetivo: Aplicar métodos científicos na interpretação bíblica. Preeminentes no Ocidente: Jerônimo, Ambrósio e Agostinho. Preeminentes no Oriente: Crisóstomo e Teodoro. Preeminentes no Alexandria: Atanásio, Basílio de Cesaréia e Cirilo. Os principais Pais da Igreja, Heróis da Fé PolicarpoNascido em uma família cristã por volta dos anos 70, na Ásia Menor (hoje Turquia), Policarpo dizia ser discípulo do Apóstolo João. Em sua juventude costumava se sentar aos pés do Apóstolo do amor. Também teve a oportunidade de conhecer Irineu, o mais importante erudito cristão do final do segundo século. Inácio de Antioquia, em seu trajeto para o martírio romano em 116, escreveu cartas para Policarpo e para a Igreja de Esmirna. Nos dias do Papa Aniceto, Policarpo visitou Roma, a fim de representar as igrejas da Ásia Menor que observavam a Páscoa no dia 14 do mês de Nisan. Apesar de não chegar a um acordo com o papa sobre este assunto, ambos mantiveram uma amizade. Ainda estando em Roma, Policarpo conheceu alguns hereges da seita dos Valencianos, e encontrou-se com Márcio, o qual Policarpo denominava de “primogênito de Satanás”.

A Carta de Policarpo

Apesar de escrever várias cartas, a única preservada até a data, foi a endereçada aos Filipenses no ano 110. Nesta carta, Policarpo enfatiza a fé em Cristo, e o desenvolvimento da mesma através do trabalho para Cristo na vida diária. Também faz alusão à carta do Apóstolo Paulo aos Filipenses e usa citações diretas e indiretas do Velho e Novo Testamento, atestando-os como canônicos. Na mesma carta, ele repete muitas informações recebidas dos apóstolos, especialmente de João. Por isto, ele é uma testemunha valiosa da vida e da obra da Igreja primitiva no segundo século.

Policarpo exorta os Filipenses a uma vida virtuosa, às boas obras e à firmeza, mesmo ao preço de morte, se necessária, uma vez que tinham sido salvos pela fé em Cristo. As 60 citações do Novo Testamento, das quais 34 são dos escritos de Paulo, evidenciam seu profundo conhecimento da Epístola do Apóstolo aos Filipenses e outras do mesmo Testamento. Ao contrário de Inácio, Policarpo não estava interessado em administração eclesiástica, mas antes em fortalecer a vida diária prática dos cristãos.

O Martírio de Policarpo

O martírio de Policarpo é descrito um ano depois de sua morte, em uma carta enviada pela Igreja de Esmirna à Igreja de Filomélio. Este registro é o mais antigo martirológio cristão existente. Diz a história que o procônsul romano, Antonino Pius, e as autoridades civis tentaram persuadí-lo a abandonar sua fé em sua avançada idade, a fim de alcançar sua liberdade. Ele entretanto, respondeu com autoridade: “Eu tenho servido Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou? Eu sou um crente”!

No ano 156, em Esmirna, Policarpo é colocado na fogueira. Milagrosamente as chamas não o queimaram. Seus inimigos, então, o apunhalaram até a morte e depois queimaram o seu corpo numa estaca. Depois de tudo terminado, seus discípulos tomaram o restante de seus ossos e o colocaram em uma sepultura apropriada. Segundo a história, os judeus estavam tão ávidos pela morte de Policarpo quanto os pagãos, por causa de sua defesa contra as heresias. Irineu Bispo de Lyon e Polemista Anti-Gnóstico – Diferentemente dos Apologistas do segundo século que procuraram fazer uma explanação e uma justificação racional do Cristianismo para as autoridades, os Polemistas empenharam-se por responder ao desafio dos falsos ensinos dos heréticos, condenando veemente esses ensinos e seus mestres. Apesar da maioria dos Apologistas viverem no Oriente, os grandes Polemistas vieram do Ocidente, sendo Irineu um dos primeiros.Enquanto os do Oriente usavam uma teologia especulativa dando mais atenção aos problemas metafísicos, os do Ocidente preocupavam-se mais com os desvios administrativos da Igreja, empenhando-se em formular uma resposta para os problemas desta esfera. Os apologistas convertidos do paganismo, preocupavam-se com a ameaça à segurança da Igreja, especialmente com a perseguição. Os polemistas que tinham uma formação cultural cristã, preocupavam-se com a heresia e suas ameaças no seio da Igreja.Seu Crescimento e InfluênciaNascido em Esmirna, na Ásia Menor (Turquia), no ano 130, em uma família cristã, Irineu era grego e foi influenciado pela pregação de Policarpo, bispo de Esmirna.

Anos depois, Irineu mudou-se para Gália (atual sul da França), para a cidade de Lyon, onde foi um presbítero em substituição do bispo que havia sido martirizado em 177. Irineu também recebeu influência de Justino. Ele foi uma ponte entre a teologia grega e a latina, a qual iniciou com um de seus conteporâneos, Tertuliano. Enquanto Justino era primariamente um apologista, Irineu contribuiu na refutação contra heresias e exposição do Cristianismo Apostólico. Sua obra maior se desenvolveu no campo da literatura polêmica contra o gnosticismo.Os Ensinos Heréticos do Gnosticismo O gnosticismo, a maior das ameaças filosóficas, chegou ao máximo de sua influência ao redor do ano 150. Suas raízes estão fincadas nos tempos do Novo Testamento. Paulo parece ter enfrentado uma forma incipiente de gnosticismo em sua carta aos Colossenses. A tradição cristã associou a origem do gnosticismo com Simão, o mago, a quem Pedro teve que repreender duramente (At 8.9-24).Irineu tornou-se o mais expoente escritor e defensor das Escrituras contra as Heresias Gnósticas na sua era. A palavra gnosticismo é um termo moderno que cobre uma variedade de seitas do segundo século que propagavam alguns erros em comum. O Gnosticismo era radicalmente diferente e contrário ao Cristianismo Ortodóxo. Cada grupo tinha seus próprios escritos. Alguns desses ensinamentos falsos eram:Crença em um Deus supremo o qual era totalmente remoto deste mundo.Crença que o Deus supremo não tinha parte na criação, mas que este trabalho imperfeito foi realizado por uma deidade inferior à ele, identificando como o Deus do Velho Testamento.Crença que a matéria era má, por isso o Deus supremo sendo espiritual e bom, não poderia criá-la.Crença que entre o reino das trevas e o Deus supremo, existe uma hierarquia de seres divinos.Crença que o nosso corpo, sendo físico, é parte deste mundo, ele é mal; nossa alma é uma faísca divina que está presa ao corpo, ela é divina.Crença que a salvação é o escape da alma deste corpo para o reino celestial.Crença que para alcançar o Deus supremo é necessário que a alma ultrapasse o reino acima de nós, o qual é controlado pelas estrelas e pelos planetas.Crença que a salvação vinha pelo conhecimento; gnosis (conhecimento). A Grande Defesa do Teólogo Irineu

Em sua primeira obra, Adversus Haereses (Contra Heresias) escrita entre os anos 182 e 188, em Lyon, ele descreve a teologia da fé cristã em refutação aos ensinos heréticos gnósticos de Valentino e Marcion através das Escrituras. De muitos argumentos feitos por Irineu, três importantes podem ser ressaltadas:A diferença do sistema gnóstico. Ele descreve a natureza burlesca de muitas de suas crenças.Os ensinamentos que os gnósticos diziam ter recebido secretamente dos apóstolos, Irineu os desafiava argumentando que se os apóstolos tivessem um ensinamento especial a declarar, eles o teriam confiado às suas próprias igrejas, as quais fundaram. Ele mostrava como as igrejas estabelecidas pelos apóstolos, e seus dirigentes, os quais eram apontados pelos mesmos e seus sucessores, cresciam em todo o império, e permaneciam até a data, ensinando a mesma doutrina.Defesa do Novo Testamento como canônico, em vista que o gnosticismo não cria nele, e possuía outras escrituras. No tempo de Irineu, o Novo Testamento era aceito cerca de como temos agora: os Evangelhos, Atos, Cartas de Paulo e outras epístolas. A carta aos Hebreus, Apocalipse e algumas epístolas compuseram o Novo Testamento alguns anos na frente.

A sua obra é composta de cinco volumes é são assim caracterizadas:

Livro I: Esboço histórico da seita gnóstica, apresentada em conjunto com uma declaração da fé cristã. Este volume é a melhor fonte de informação sobre os ensinos dos gnósticos.Era uma polêmica filosófica contra Valentino, o líder da corrente romana do gnosticismo.

Livro II: Crítica filosófica sobre o Gnosticismo. Nele, Irineu insiste na unidade de Deus em oposição a idéia herética da existência de um demiurgo distinto de Deus.

Livro III: Crítica bíblica sobre o Gnosticismo. Ele mostra como o Gnosticismo é rejeitado pela Bíblia e pela tradição mais significativa. Neste livro, Irineu dá ênfase à unidade da Igreja através da sucessão apostólica de líderes desde Cristo e de uma regra de fé.Livro IV: Respostas ao Gnosticismo através das palavras de Cristo. Neste, Marcion, outro líder gnóstico, é condenado pela citação das palavras de Cristo que se opõem às suas propostas.Livro V: Vindicação da ressurreição contra os argumentos gnósticos, os quais, segundo as idéias deles, reunia o corpo material mau com o espírito. A Contribuição de Irineu à Igreja Foi necessário a habilidade intelectual, a força espiritual deste polemista e o desenvolvimento de uma regra de fé e um cânon da Bíblia pela Igreja para superar a ameaça desse movimento ao Cristianismo. Irineu através da sua defesa do Evangelho, foi o primeiro a declarar os quatro Evangelhos como canônicos, ensinar acerca do reino milenial de Cristo na terra, defender o episcopado (pastorado) e as tradições teológicas da verdadeira Igreja Ortodóxa. Ele também é chamado de “Pai dos Dógmas da Igreja”, por formular os princípios da teologia cristã e exposição do credo da Igreja.Não só Irineu, mas Polemistas como Tertuliano e Hipólito engajaram-se na controvérsia literária para refutar idéias gnósticas. Estes ensinos heréticos reapareceram, parcialmente, em doutrinas dos Paulicianos do século VII, dos Bogomilos dos séculos XI e XII, e dos Albingenses posteriores, no sul da França. Irineu em comparação com outros pais da igreja grega que lhe prescederam, era mais bíblico que filosófico. Ele foi o primeiro a escrever em sentido teológico para a Igreja. Segundo a história, ele foi martirizado em Lyon por volta do ano 200.JerônimoErudito das Escrituras e Tradutor da Bíblia para o Latim. Nascido por volta do ano 345 em Aquiléia (Veneza), extremo norte do Mar Adriático, na Itália, Jerônimo passou a maior parte da sua juventude em Roma estudando línguas e filosofia. Apesar da história não relatar pormenores de sua conversão, se sabe que se batizou quando tinha entre dezenove e vinte anos. Logo após, Jerônimo embarcou em uma peregrinação pelo Império que levou vinte anos.Sua viagem iniciou pela Gália, onde estudou Teologia por alguns anos, aperfeiçoou o grego e adotou a vida monástica. Voltando para Aquiléia esteve durante três anos trabalhando com o Bispo Valeriano. Em 375, Jerônimo partiu para Antioquia da Síria, onde aprendeu o hebraico e estudou intensivamente as Escrituras. Depois de dois anos foi ordenado a padre pelo Bispo Paulino. Partindo dalí, foi para Constantinopla, onde por dois anos foi discípulo de Gregório, grande mestre entre Gregório de Nicéia, Basílio de Cesaréia e outros eminentes Pais da Igreja. Sua PeregrinaçãoSua peregrinação terminou no ano 382, quando fez-se secretário de Dâmaso, bispo de Roma, que lhe sugeriu a possibilidade de fazer uma nova tradução da Bíblia. Com a morte de Dâmaso, Jerônimo partiu de Roma em direção à Palestina, no ano 386. Graças à generosidade de Paula, uma rica senhora romana a quem tinha ensinado hebraico, viveu num retiro monástico em Belém, por 35 anos.

Nestes anos, ele dedicou-se em escrever várias obras. A maior delas, foi a tradução da Bíblia para o Latim, conhecida como Vulgata. Jerônimo foi cuidadoso na busca de suas informações e procurou usar as versões mais antigas e manuscritos bíblicos já não existentes. Trabalhando sobre o princípio que o texto original da Bíblia estava livre de erros, ele começou um estudo profundo dos manuscritos juntamente com a Septuaginta, a fim de determinar, entre muitos outros, que texto poderia se considerar como original e verdadeiro. A Obra de Esmero Entre os anos 386 e 390, ele completou a tradução, bem como os comentários do Novo Testamento. Entre os anos 390 e 398, ele escreveu muitas obras e comentários que são usados até o dia de hoje; traduziu escritos de outros eruditos para o Latim; e atualizou a obra de Eusébio de Cesaréia, “História Eclesiástica”, gravando os eventos ocorridos na Igreja entre os anos 325 e 378.A partir do ano 398 até 405, Jerônimo terminou o seu grande projeto, a tradução completa em Latim do Antigo Testamento Hebraico. Esta versão da Bíblia tem sido amplamente usada pela Igreja Ocidental e tem sido, até recentemente, a única Bíblia oficial da Igreja Católica Romana desde o Concílio de Trento. Seu amor pela vida ascética fez dele um propagador do ascetismo, chegando no final de sua vida, entre os anos 405 e 420, ao extremo da abstinência da alimentação normal, do trabalho e do casamento. AgostinhoFilósofo e Teólogo de Hipona, Norte da África. Polemista capaz, pregador de talento, administrador episcopal competente, teólogo notável, ele criou uma filosofia cristã da história que continua válida até hoje em sua essência.Vivendo num tempo em que a velha civilização clássica parecia sucumbir diante dos bárbaros, Agostinho permaneceu em dois mundos, o clássico e o novo medieval. Nascido em 354, na casa de um oficial romano na cidade de Tagasta em Numidia, no norte da África, era filho de um pai pagão, Patrício, e de uma mãe crente, Mônica. Apesar de não serem ricos, era uma família respeitada. Sua mãe dedicou-se à sua formação e conversão à fé cristã. Com muito sacrifício, seus pais lhe ofereceram o melhor estudo romano. Seus primeiros anos de estudo foram feitos na escola local, onde aprendeu latim à força de muitos açoites. Logo, foi enviado para a escola próximo a Madaura, e em 375 à Cartago, para estudar retórica. Longe da família, Agostinho se apartou da fé ensinada por sua mãe, e entregou-se aos deleites do mundo e a imoralidade com seus amigos estudantes. Viveu ilegitimamente com uma concubina durante treze anos, a qual lhe concedeu um filho, Adeodato, em 372. O mesmo morreu cerca do ano 390. Na busca pela verdade, ele aceitou o ensino herético maniqueísta, o qual ensinava um dualismo radical: o poder absoluto do mal — o Deus do Antigo Testamento, e o poder absoluto do bem — o Deus do Novo Testamento. Nesta cegueira ele permaneceu nove anos sendo ouvinte, porém, não estando satisfeito, voltou à filosofia e aos ensinos do Neo-platonismo. Ensinou retórica em sua cidade natal e em Cartago, até quando foi para Milão, Itália, em 384. Em Roma, foi apontado pelo senador Símaco como professor de retórica em Milão, e depois para a casa imperial. Como parte de seu trabalho, ele deveria fazer oratórias públicas honrando o imperador Valenciano II.Sua Conversão No ano 386, quando passava várias crises em sua vida, Agostinho estava meditando num jardim sobre a sua situação espiritual, e ouviu uma voz próxima à porta que dizia: “Tome e Leia”. Agostinho abriu sua Bíblia em Romanos 13.13,14 e a leitura trouxe-lhe a luz que sua alma não conseguiu encontrar nem no maniqueísmo nem no neo-platonismo. Com sua conversão à Cristo, ele despediu sua concubina e abandonou sua profissão no Império. Sua mãe, que muito orara por sua conversão, morreu logo depois do seu batismo, realizado por Ambrósio na Páscoa de 387. Uma vez batizado, regressou um ano depois para Cartago, Norte da África, onde foi ordenado sacerdote em 391. Em Tagasta, ele supervisionou e instruiu um grupo de irmãos batizados chamados de “Servos de Deus”. Cinco anos depois, foi consagrado bispo de Hipona por pedido daquela congregação, onde permaneceu até sua morte. Daí até sua morte em 430, empenhou-se na administração episcopal, estudando e escrevendo.

Suas Obras Agostinho é apontado como o maior dos Pais da Igreja. Ele deixou mais de 100 livros, 500 sermões e 200 cartas. Suas obras mais importantes foram: Confissões, obra autobiográfica de sua vida antes e depois de sua conversão;Contra Acadêmicos, obra onde demonstra que o homem jamais pode alcançar a verdade completa através do estudo filosófico e que a certeza somente vem pela revelação na Bíblia;De Doctrina Christiana, obra exegética mais importante que escreveu, onde figuram as suas idéias sobre a hermenêutica ou a ciência da interpretação. Nela desenvolve o grande princípio da analogia da fé;De Trinitate, tratado teológico sobre a TrindadeDe Civitate Dei, obra apologética conhecida como Cidade de Deus. Com o saque de Roma por Alarico, rei dos bárbaros em agosto 28 de 410, os romanos creditaram este desastre ao fato de terem abandonado a velha religião clássica romana e adotado o cristianismo. Nesta obra, põe-se a responder esta acusação a pedido de seu amigo Marcelino.Agostinho escreveu também muitas obras polêmicas para defender a fé dos falsos ensinos e das heresias dos maniqueus, dos donatistas e, principalmente, dos pelagianos. Também escreveu obras práticas e pastorais, além de muitas cartas, que tratam de problemas práticos que um administrador eclesiástico enfrenta no decorrer dos anos do seu ministério. A formulação de uma interpretação cristã da história deve ser tida como uma das contribuições permanentes deixadas por este grande erudito cristão. Nem os historiadores gregos ou romanos foram capazes de compreender tão universalmente a história do homem. Agostinho exalta o poder espiritual sobre o temporal ao afirmar a soberania de Deus sobre a criação. Esta e outras inspiradoras obras mantiveram viva a Igreja através do negro meio-milênio anterior ao ano 1000. Agostinho é visto pelos protestantes como um precursor das idéias da Reforma com sua ênfase sobre a salvação do pecado original e atual através da graça de Deus, que é adquirida unicamente pela fé. Sua insistência na consideração dos sentido inteiro da Bíblia na interpretação de uma parte da Bíblia (Hermenêutica), é um princípio de valor duradouro para a Igreja.

Seus últimos meses Durante os últimos meses de vida, os vândulos tomaram a cidade fortificada de Hipona por mar e terra. Eles haviam destruído as cidades do Império Romano no Norte da África e as evidências do Cristianismo. A cidade estava cheia de pobres e refugiados, e a congregação de Agostinho não era uma excessão. No final de sua vida, ele foi submetido a uma enfermidade fatal, e com 75 anos ele pediu que ficasse só, a fim de se preparar para encontrar com o seu Deus. Um ano depois da morte de Agostinho em 430, os bárbaros queimaram toda a cidade, mas felizmente, a biblioteca de Agostinho foi salva, e seus escritos se perpetuam em nosso meio até a nossa era. John Wycliff Reformador e Tradutor da primeira Bíblia para o inglês.” Nascido na cidade de Yorkshire, Inglaterra, em 1329. Atendeu à Universidade de Oxford e terminou o doutorado de Teologia em 1372. Também foi um dos mestres da Universidade de Balliol. Por ser o mais eminente teólogo de seus dias, teve a oportunidade de ser o capelão do rei Ricardo II com acesso ao Parlamento, e de traduzir a Bíblia, junto com seus associados, do Latim para o Inglês.A Corrupção Papal na Inglaterra Equivocamente, muitas pessoas acham que a volta à Bíblia começou com Calvino e Lutero, os líderes da Reforma. Ao contrário, antes da Reforma houve tentativas de fazer parar o declínio do prestígio e do poder do papa através de reformas de várias espécies.

Os problemas representados por um papado corrupto e extravagante que morava na França e não em Roma, e pelo cisma que se seguiu à tentativa de levar de volta o papa para Roma, fomentaram o ímpeto que levou os reformadores, os concílios reformadores do século XIV e os humanistas bíblicos, a procurarem formas de produzir um reavivamento espiritual dentro da Igreja Católica Romana.Ao povo inglês desagradava enviar dinheiro para um papa em Avignon, que estava sob influência do inimigo da Inglaterra, o rei francês. Este sentimento nacionalista natural aumentou o ressentimento real e da classe média, por causa do dinheiro desviado do tesouro inglês e da administração do estado inglês através dos impostos papais. Naquela época, a Igreja Romana além de ser riquíssima, possuia um terço de toda a terra da Inglaterra e era isenta de todos os impostos. Os sete papas que regeram desde Avignon tinham a reputação de lobos ao invés de pastores de ovelhas, por causa de sua conduta, suas políticas e ganâncias pelo dinheiro e poder. Foi em meio a este clima de reação nacionalista contra o eclesiasticismo que Wycliff entrou em cena desafiando o papa.Os Intentos de uma ReformaAté 1378, Wycliff queria reformar a Igreja Romana através da eliminação dos clérigos imorais e pelo despojamento de sua propriedade que, segundo ele, era a fonte da corrupção. Em uma obra de 1376 intitulada “Of Civil Dominion” (Sobre o Senhorio Civil), Wycliff exigia uma base moral para a liderança eclesiástica. Deus concedia aos líderes o uso e a posse dos bens, mas não a propriedade, como um depósito a ser usado para a sua glória. A falha da parte dos eclesiásticos em cumprir suas próprias funções era uma razão suficiente para a autoridade civil tomar os seus bens. Vivendo na época da “Guerra dos Cem Anos” entre a Inglaterra e França, Wycliff começou sua reforma atacando a autoridade papal em 1378, e a se opor aos dogmas da Igreja Romana, afirmando que Cristo e a Bíblia eram a autoridade única para o crente . Por causa disso, ele tornou a Bíblia acessível ao povo comum em sua própria língua. Em 1380, terminou a tradução completa do Novo Testamento, e em 1382, seu cooperador Nicholas de Hereford, terminou o Velho Testamento.Os Ensinos de WycliffO papa Gregório XI o condenou, mas Wycliff foi protegido por várias famílias nobres do reinado, especialmente pelo Duque de Lancaster, John of Gaunt, filho de Eduardo III.

Também na mesma época, refutou a doutrina católica da transubstanciação, evidenciando que o padre não podia reter a salvação das pessoas por ter em suas mãos o “corpo e o sangue de Cristo” na comunhão. Ele condenou o dogma do purgatório, uso de relíquias, romarias, venda de indulgências e o ensino da infalibilidade papal. Todos os seus ensinos foram condenados em Londres, em 1382, e foi obrigado a se retirar para seu pastorado em Lutterworth.A partir de 1381 até sua morte, Wycliff dedicou-se ao estudo das Escrituras e a escrever algumas obras muito importantes que defendiam a veracidade da Palavra de Deus, além da tradução da Bíblia.

As obras mais proeminentes foram:

A Verdade das Sagradas Escrituras: escrita em 1378, na qual ele retrata a Bíblia como regra de fé e prática, pela qual a Igreja, as tradições, os concílios e inclusive o papa deveriam ser provados. Ele também escreveu que as Escrituras contêm tudo necessário para que o homem seja salvo, sem necessidade de tradições adicionais. Wycliff defendia que as Escrituras deveriam ser lidas por todos os homens e não somente pelo clérigo.

O Poder do Papa: Escrita em 1379, na qual ele descreve o papado como um ofício instituído pelo homem e não por Deus. Ele explica que o poder do papa não se extende ao governo secular, e que sua autoridade não é derivada do seu ofício, mas sim de seu caráter moral e cristão. Ele dizia que o papa que não seguia a Jesus Cristo, era o Anticristo.Apostasia: escrita em 1379, na qual ele condena a doutrina romana da transubstanciação.

Eucaristia: escrita em 1380, uma extensão da obra anterior, onde ele denuncia esta heresia em vários aspectos como: inovação recente, filosoficamente incoerente e contrária à Bíblia Sagrada. Ele condena a Tomás de Aquino e seu ensinamento que diz que o pão e o vinho se transformam no corpo e sangue de Cristo. Em seu livro, Wycliff descreve que o pão e o vinho mantém a sua forma, sendo um sacramento em memória do corpo e do sangue de Cristo. O Resultado do Trabalho de Wycliff O movimento reformador significou também um protesto e uma reação contra os tempos atribulados e contra uma igreja decadente e corrompida. Revoltas sociais e políticas eram comuns no século XIV. A Peste Negra em 1348 e 1349 dizimou pela morte cerca de um terço da população da Europa. A Revolta dos Camponeses em 1381, na Inglaterra, era uma evidência da insastifação social associada com as idéias de Wycliff. Para se certificar que o povo inglês não permaneceria nas trevas dos dogmas católicos, Wycliff fundou um grupo de pregadores leigos chamados Lolardos, os quais pregaram os seus ensinamentos por toda a Inglaterra, até que a Igreja Romana em 1401, por força da declaração “De Haeretico Comburendo” pelo Parlamento, introduziu a pena de morte como castigo para os tais pregadores. Entretanto, estes jamais foram aniquilados. Os Lolardos ajudaram a preparar o caminho, ainda que ocultamente, para a grande Reforma na Inglaterra. Os boêmios que estudavam na Universidade de Oxford, ao regressar à sua terra, trouxeram os ensinos de Wycliff, os quais influenciaram a vida de John Huss e a Reforma da Boêmia
Sua Condenação Após a MorteAs habilidades de Wycliff influenciaram na preparação do caminho para a reforma na Inglaterra. Em 1384, ele morre de derrame. John Huss, influenciado pelos ensinos de Wycliff, foi tido como herege e queimado na estaca em 1415 pelo Concílio de Constança. Como não seria diferente, Wycliff depois de morto, também foi condenado como herege pelo mesmo Concílio, e 45 de seus ensinamentos foram tidos como heresias. Por causa disso, a Igreja Romana deu ordem para cavar sua sepultura, queimar os seus ossos, e lançar suas cinzas no rio Swift em 1428. John Wycliff foi o principal expoente de medidas reformadoras, e por isso é chamado de “Estrela d’Alva da Reforma”. John HussNascido em Hussinec, na Boêmia, hoje Tchecoslováquia, em 1373, de uma família pobre que vivia da agricultura. Ele recebeu boa educação elementar e cursou na Universidade de Praga (capital atual da República Tcheca), onde terminou seu mestrado em Filosofia no ano de 1396. Dois anos depois, Huss começou ensinar na Universidade, e em 1401, veio a ser o seu reitor. Em 1400, Huss foi separado como padre e foi-lhe entregue a responsabilidade da prestigiada Capela de Belém. Após o casamento do rei inglês, Ricardo II da Inglaterra com Ana, filha do imperador Carlos IV da Boêmia em 1382, os ensinamentos de Wycliff foram logo introduzidos no país. Estudando-os bem de perto, Huss começou não só a pregar, como também traduzir as obras de Wycliff na língua Tcheca.Pregador e Precursor da Reforma na BoêmiaEm 1403, Jan Huss se propôs a reformar a Igreja Romana na Boêmia, ensinando que o papado não tinha nenhuma autoridade de oferecer a remissão dos pecados através da venda de indulgências, como também questionou a legitimidade dos dois papas rivais Gregorio XII e AlexandreV. Por esta razão, em 1408, os incontentos padres e colegas da Universidade de Praga condenaram a Huss, e como resultado, foi proibido de exercer suas funções eclesiásticas em Praga. Um ano depois, ele recebe novas acusações de estar ensinando heresias; mas não para de pregar na Capela de Belém. Em 1411, Huss é excomungado de sua congregação, e todos os cultos, cerimônias de batizado e funeral foram anulados.Tal ato trouxe grande revolta nos cidadãos de Praga, os quais defenderam a Huss. O cúmulo da corrupção papal sucedeu em 1412, quando João XXIII lançou uma cruzada contra o Rei Ladislau de Nápoles, e ofereceu a remissão completa de pecados a todos os que participassem na guerra, ou a venda da indulgência para os que a suportassem. Ao ouvir tal notícia contrária a todos os preceitos bíblicos, Huss se levanta e ataca o papado de usar sanções espirituais e indulgências para fins pessoais e políticos. Em contra-ataque, Jan Huss foi excomungado de Roma e obrigado a deixar Praga.A Intimidação Se Inicia Durante o seu exílio, Huss teve a oportunidade de concluir uma de suas obras mais importantes, “De Ecclesia”. No ano de 1414, os líderes da Igreja Romana se reuniram para um Concílio em Constança (atualmente na Alemanha), e John Huss foi convocado a comparecer a fim de esclarecer seus ensinos controversiais com o da Igreja. O imperador Boêmio, Sigismund, prometeu salvo-conduto, mas, após um mês em Constança, os seguidores do Papa João XXIII o prenderam, e ele foi impelido pelo Concílio de se retratar. Huss permanceceu preso durante os sete meses de seu julgamento, e pouca oportunidade foi-lhe dada de se defender. Por não voltar atrás, Jan Huss foi condenado como hereje, despido e queimado na estaca fora da cidade no dia 6 de julho de 1415. Huss morreu cantando o hino em grego “Kyrie eleeson” (Senhor, tem misericórdia). O local de sua morte é marcado até hoje com uma pedra memorial. Como Wycliff, Huss lutou pela reforma da Igreja pagando o preço com sua vida. Os perseguidores destruíram o corpo, mas não os ensinos de Huss, que foi espalhado por toda a Europa por seus discípulos mais radicais, conhecidos como Taboritas. Estes rejeitaram tudo na fé e na prática da Igreja Romana que não se encontrasse na Bíblia. Destes discípulos surgiu a Igreja Moraviana, a qual tornou-se mais tarde numa das igrejas de mais visão missionária da História da Igreja. O resultado do trabalho de Huss e de tantos outros foi vista um século depois, na pessoa de Lutero. William TyndaleNascido em 1494, na parte oeste da Inglaterra, Tyndale graduou-se na Universidade de Oxford em 1515, onde estudou as Escrituras no Hebraico e no Grego. Quando tinha 30 anos, fez uma promessa que haveria de traduzir a Bíblia para o Inglês, a fim de que todo o povo, desde o camponês até a corte real, pudesse ler e compreender as Escituras em sua própria língua. A Igreja Católica proibia severamente qualquer pessoa leiga ler a Bíblia. Segundo o clero, o povo simples não podia compreender as Sagradas Letras, e tinha que ter a sua ajuda. A interpretação era feita segundo a sua conveniência, e esta para fins políticos e financeiros.O Reformador Inglês e Tradutor da Bíblia

Com este desejo em seu coração, Tyndale partiu para Londres em 1523, buscando um lugar que pudesse dar início ao seu projeto. Não sendo recebido pelo bispo de Londres, Humphrey Munmouth, um comerciante de tecido, lhe deu todo apoio necessário. Em 1524, Tyndale foi obrigado a deixar a Inglaterra e partir para Alemanha, para dar continuidade ao seu trabalho, em vista das grandes perseguições por parte da Igreja Católica. A proibição da leitura da Bíblia agravou-se de tal maneira, que até mesmo se uma criança recitasse a oração do “Pai Nosso” em inglês, toda sua família era condenada a ser queimada na estaca. Na Alemanha, ele se estabeleceu na cidade de Hamburgo, e provávelmente conheceu a Martinho Lutero, pois eram contemporâneos. Ambos traduziram o Novo Testamento baseado no Manuscrito Grego compilado por Erasmo em 1516. William Tyndale concluiu a tradução do Novo Testamento em 1525. Quinze mil cópias em seis edições foram impressas pela proteção de Thomas Cromwell, um vice-regente do rei Henrique VIII, e contra-bandiadas através de comerciantes para a Inglaterra, entre os anos de 1525 a 1530.

A Intimidação Começa.

As autoridades da Igreja Romana deram ordem para confiscar e queimar todas as cópias da tradução de Tyndale, porém eles não podiam parar o fluxo da entrada de Bíblias vindas da Alemanha para a Inglaterra. Até mesmo na Escócia, os mercadores escoceses estavam levando a Bíblia para o seu povo. O próprio William não podia regressar à Inglaterra, pois estava sendo buscado e tido como um “fora-da-lei”, a leitura de seus escritos e tradução haviam sido legalmente proibidos. Contudo, ele continuou suas revisões e correções até que sua edição final do Novo Testamento foi cumprida em 1535. Com esta conclusão, Tyndale iniciou a tradução do Velho Testamento, porém não viveu bastante a ponto de terminá-la. Ele traduziu o Pentateuco, o livro de Jonas e alguns livros históricos. Em Maio de 1535, Tyndale foi preso e levado a um castelo perto de Bruxelas onde ficou aprisionado por mais de um ano. Durante este tempo, um de seus companheiros, Miles Coverdale, concluiu a tradução do Velho Testamento, baseada na tradução de seu companheiro. Chegou o dia do julgamento de William Tyndale, ele foi condenado à morte por haver colocado as Escrituras na mão do povo inglês. No dia 6 de Outubro de 1536, ele foi estrangulado e logo após queimado na estaca em público. Porém, suas últimas palavras antes de morrer foram: “Senhor, abre os olhos do Rei da Inglaterra.”

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